terça-feira, 18 de julho de 2017

MAL-ENTENDIDOS?




Urutu, cobra bendita
pela cruz que tem na testa.
De dia dorme, medita...
e de noite faz a festa.

Tendo um cruzeiro na testa,
ela é linda como a luz
desde que se fuja desta
como o diabo da cruz.

Urutu, cobra marcada,
é bonita de se ver
ou maldita, essa malhada,
se te bota pra correr!?

“Cabra” marcada,  se vê
detenta do nosso erro.
Traz a cruz do próprio enterro.
É marcada pra morrer.

Urutu, injustiçada
serpente, tão maculada...
linda de viver – é vida!
Linda de morrer. Decida.


                 Paulo Robson de Souza 
                 (O Livro das Cores e Formas, 2001, inédito)



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